Foi no mínimo lisonjeiro ouvi-lo explicar com tanta candura porquê, para mim, tudo é pessoal… E é mesmo. Como protagonista da novela da minha vida optei por tornar as coisas um pouco mais… próximas, digamos assim.
Eu sempre quis ficar perto de mim. Já que não dá pra me esquecer num canto, uma hora ou outra eu saio pelas ruas assassinando sonhos e esperanças só pra ver eles virarem adubo pras alegrias alheias… eu vou pela vida me largando aos poucos, em pedaços esfacelados só por um sorriso seu.
Cada dia, cada momento é meu, porque depois que você for embora, vai me sobrar a doce lembrança de um tempo perfeito. Feliz onde o mundo era pequeno demais pra minha alma. Cada carinho é seu, cada afago é único, especial… Os detalhes são a alegoria das minhas mais secretas fantasias. Quando o tempo pára no compasso dos meus cílios, quando o céu se abre no delicado paladar do seu prato.
Uma convulsão de sentimentos, uma explosão, erupção…
Mas eu sou assim… complexamente simples!!!
Porque me alegro com seu olhar, porque meu corpo se arrepia dentro do seu abraço, porque meu coração palpita só com a lembrança do seu cheiro. Sim, seu cheiro também me inebria, me cativa, me leva pra casa… tira meus pés do chão em um rodopio de esperanças vagas. Não vazias, apenas vagas. Por serem desnecessárias. Por não precisar das palavras premeditadas, de frases feitas, discursos prontos. Só seu abraço. O roçar de tuas mãos na minha pele. O laço vermelho arrematando o pirulito de sonhos açucarados…
Mas o pecado aqui talvez seja uma pitada de egoísmo. Porque nada disso é mais seu. São minhas lembranças. Até o cheiro da terra molhada é meu, minhas gotas da chuva de um tempo bom… Prontas pra serem sorvidas, acalentadas nas longas horas solitárias…
Quando o meu sofrimento também é absurdamente pessoal. Minha dor, meu abandono. Solidão de mim. Esquecimento… Agonia estóica que, por vezes, nubla minha voz…
Assim sou eu, versão personalísssima de mim mesma. Dicotomia de quem acredita que a vida só vale a pena se vivida com paixão e intensidade. Que não sabe se sobra muito depois que a tempestade pára de soprar. Mas o vento nos cabelos já vale uma vida inteira…
Você pode sim me descobrir com vagar e zelo… Usar seus sentidos, sua percepção… Pode até ter sido meio casual, mas ainda assim terá sido pessoal…
e ae sumida! valeu pela comentário lá! concordo com vc, normalmente a gente deixa o silêncio e o tempo fazer tudo pela gente, é mais cômodo!
bjs
K…: Nos calamos quando nos faltam palavras, nos calamos quando nos sobram sentimentos, nos calamos quando somos covardes… E só é lamentável quando o nosso silêncio é apenas ausência….
Bem interessante seu texto, hein! Gostei, vou aparecer aqui de vez em quando, hehehe! E, conforme prometido, segue o link pro meu blog. ^_^ Um beijo!
K…: Obrigada pela visita… seja sempre bem-vindo…
textos cada vez mais intensos. Parabéns! essa parte é muito interessante “…uma hora ou outra eu saio pelas ruas assassinando sonhos e esperanças só pra ver eles virarem adubo pras alegrias alheias…”.
bjo
K…:
Cada vez mais vamos deixando um pedaço maior de nós mesmos com aqueles que cruzam nossos caminhos… vivemos a vida dos outros, pedaços de nós misturados aos pedaços de outros… O que vale um sorriso? O que vale um brilho no olhar, mesmo de um desconhecido? Vale um sonho íntimo? Uma alegria de infância? E é assim que se barganha… se livrando de esperanças próprias por um sorriso fugaz de um desconhecido que se perde na multidão. Depois de um olhar, de um beijo ou de uma paixão…
Excelente texto! Sou forçado a concordar contigo: as sofredoras são, sim, as mais perigosas…
K…:
Acho que às vezes somos perigosas porque já sabemos de cor os desenlaces das histórias que vivemos… e vivemos todas as fases sabendo que uma hora ou outra as coisas acabam, o amor descolore, a paixão passa, a amizade tropeça… e aí a gente aprende a viver sem precisar chorar pelos motivos errados.. a gente chora porque dói, a gente chora porque sofre… e levanta, enxuga a cara… pronta pra viver de novo. Isso sim é perigoso…
Princesas sempre são “complexamente simples”, é o peso da coroa e o destaque diante das reles mortais plebéias que nos tornam adoravelmente pessoais, únicas e autênticas.
Penso que talvez em outros reinos teremos mais sorte.
K…:
Sabe Bia, ando querendo ter uns dias de estúpida felicidade plebéia… Mas ainda assim acho que vou me recolher numa torre e esperar pelo meu príncipe…
“Mas eu sou assim… complexamente simples”
A complexidade da simplicidade é que encanta.
Cada momento preso na memória, cada pedaço de vida revivido nas lembranças, boas e ruins, experiências de uma vida em curso. O tempo não para, mas ficamos estagnados em um momento atemporal que nos prende, que faz a percepção do mundo ao redor sumir. No fim tudo passa, mas…
“só o vento nos cabelos já vale uma vida inteira…”
K…:
No fim, nem tudo passa. Somos tentados a viver histórias erradas, trágicas desde o início só pra satisfazer o desejo, muitas vezes, orgulhoso e estúpido de “terminar uma história mal-resolvida”. A gente se enfia em relacionamentos contaminados só pra depois dizer “Eu vivi isso, eu tinha que viver essa história até o fim…” .
Besteira!!! Até as lembranças são egoístas, porque as colorimos com as cores que achamos melhor pra elas… Por isso, proponho essa saída (que também é opinião pessoal, como todo o resto)… e tudo, absolutamente tudo, é pessoal…
Evita de deixar para os outros a responsabilidade pela minha felicidade…