Aconteceu ontem.
Ainda de pijama, curtindo os resquícios de sono…
Você me invadiu. Imperativo. Foi entrando pelos cílios, invadindo as pálpebras. Espreguiçou ali pelo subconsciente e aninhou-se bem abaixo do seio esquerdo. Ficou por lá um tempo, batucando meus pulmões, tamborilando o coração. Desceu pela barriga, esfriando meu estômago. Bamboleou meu umbigo. Passou correndo pras pernas, arrepiando o púbis. Foi escorrendo devagar pelos joelhos me fazendo rir, espremeu-se pelo calcanhar e foi-se embora.
Fiquei um tempo com seu gosto na boca, seu cheiro no corpo… Deitada na cama eu aproveitava você em mim. O sol entrava em frestas pela persiana e me aquecia em listras. Virei para o lado, bocejei com vontade de que tivesse ficado um pouco mais, ou que voltasse, mas não adiantava, eu já tinha acordado mesmo…
Levantei e sacudi você dos meus poros. Formigou um pouco. Ardeu outro tanto…
Despi-me da alma, pendurei ali detrás da porta e fui escovar os dentes.
Nossa, depois dessa, melhor tomar um bom banho, hehehe!
K…:
É, algumas pessoas nos possuem sem qualquer permissão…
Mas não se preocupe, esse aí eu lavei muito bem com bastante água e sabonete…
bjos
Gostei de “bamboleou meu umbigo”.
Já te contei que eu copio o Caio Fernando Abreu quando escrevo? Pois é, sou um plágio.
E respondi seu comentário lá no Groselha, e sim era hora de mudar, e a Penélope está lá porque no Volver o nome dela é Raimunda. E tipo, alguém ter o nome de Raimunda e ficar cheirando hortelã super combina com o Groselha.
E respondendo sua pergunta na resposta ao meu comentário no post anterior:
Sim!
K…:
É, seu sei que você vai sim sempre acreditar nas pessoas e nos sentimentos. Gostei das mudanças lá no Groselha… momento Visa de iluminação fashion-literária!
Eles sempre bamboleiam os nossos umbigos… Maioria das vezes é bom quando acontece…
Mas, ainda assim, perdoe-me pelo plágio. Considere-se uma musa inspiradora. Diminui meu crime!
bjos
Sem consentimento, sem permissão, sem querer… é assim que algumas pessoas nos pegam no mais intimo, invadindo nossos sonhos e fazendo deles o palco para suas brincadeiras…
beijos e bons sonhos…
K…:
Sem consentimento ou permissão sim. Mas jamais sem querer. Muitas vezes apenas caímos na malha ardilosa dos jogos de amores de outrem. E amamos e choramos, nos descabelamos… Tudo é muito mais trági-cômico pra quem nos assiste… E sofremos louca e lindamente como Ofélias cercadas de flores. Mas, ainda que Ofélias, ainda que rodeadas de flores, mortas!!!
Bem vinda ao meu blog. Bem vinda aos fragmentos da minha alma… Pode passear por aí e voltar sempre que quiser!
Beijos
Despir-se da alma e pendurá-la, assim não se sentiria nada, como se o viver só existisse quando se está só, é não ser realmente você, exceto nesses pequenos momentos em que se deixa levar pelo que está sentindo. Meio radical, mas bastante eficiente.
K…:
ser completos nos faz sofrer mais, mas também nos faz sentir mais. Nos deixamos a mercê das pessoas. Aquelas mesmas que dizem nos amar e nos querer. Elas vem, nos preenchem até nos sentirmos inchados. Inchados de amor, de desejo… e depois, apenas ausência. E de repente, numa manhã normal, nos invadem, como se ainda estivessem lá, como se ainda respirassem na nuca, eriçando os pêlos… Lembranças às vezes são mais reais que as pessoas…