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 Tarde!

Seria hoje muito tarde para lhe dizer bonitas palavras?

O tempo se esvai, o presente urge

E nossas palavras vãs se perdem no redemoinho do destino.

 

A pele já não mais se estremece ao toque.

Doce toque de suas cálidas mãos.

Toque?

Algum dia eu senti seu toque?

Ou seriam apenas delírios de minha alma?

Sim.

 

Pele, toque, corpo.

E o que será amanha. O amanha não me pertence, nem a ti.

Amanhã seremos passado, boas lembranças apenas.

Amanhã já não teremos pele.

Amanhã já não teremos toque.

Amanhã já não seremos corpo.

Amanhã já não seremos beijo

Apenas a doce lembrança de tudo o que fomos.

Ou não.

 

Pressinta, toque beije, ame.

Cada segundo de uma ínfima existência banhada a sentimentos

Sentimentos atropelados

Libertos dos grilhões e prisões morais.

Nossos corpos então libertos,

Poderão se juntar.

Unos, corpo e pele.

Deixaremos de ser matéria, para constituir o doce mundo dos sonhos e lembranças.

 

Partilhemos,

Brisa,

Pele,

Beijos

Corpos….

Pueril

Já se perguntou o porquê de algumas tardes serem tão saudosas?

 

Pode ser a tonalidade da luz, a velocidade que as nuvens se deslocam ou até mesmo os cheiros que o vento traz… Não importa.  Algumas tardes tem jeito de saudade, tem cor de passado, gosto de adolescência. Quando se andava pela rua depois da escola, a caminho de casa, imaginando sonhos e desenhando a vida.

 

A nuvem branca no céu azul é idêntica àquela que presenciava o momento daquele beijo roubado no tapete de leitura, embaixo da janela, detrás das estantes, quando os lábios dele tocaram os dela pela primeira vez. Mal sabiam eles que muitos anos depois se reencontrariam e viveriam intensos momentos juntos, mas sem jamais viverem o amor que lhes fora destinado.

 

Ele tinha olhos negros. Ela tinha sonhos demais.

 

Ele falava de aventuras impossíveis. Ela jogava xadrez.

 

Ele escrevia histórias de detetive. Ela escrevia o nome dele no caderno.

 

Ele colecionava insetos. Ela poemas.

 

Ele contava os passos de casa até a escola. Ela passeava de bicicleta na frente da casa dele.

 

Ele foi embora. Ela viveu seus amores.

 

Ele murchou…

 

Ela?

 

Ainda respira fundo o odor das tardes saudosas sorrindo com os amores de adolescência.

Tão bobos…

Tão sublimes…

Ribalta

É como se o tempo parasse.

Como se o tempo corresse. 

Os sons chegam surdos, longe. Abafados pelas batidas do próprio coração que pulsa irrequieto.

O abraço coletivo no tablado. 

A oração sussurrada enquanto os olhos percorrem outras ansiedades…

As portas se abrem e escondidos pelas cortinas aguardam, sorriem, esperam, morrem um pouco.

As luzes se apagam. O sangue aquece as faces.

É chegada a hora. 

A vida pulsa e corre.

O tempo pára…

 

 

 

Aplausos… 

As cortinas se fecham.

Eu volto a ser eu…

Suspiros

E de repente me perdi no meio do meu dia.

Entre a aula, o ensaio, o namoro, o cinema, o trabalho, a fé. Me perdi! Eu olhava em volta, me procurando em pedaços entre os compromissos e não me achava. No início foi engraçado, como um jogo de esconde-esconde. Só que no final eu já gritava entre soluços um solitário “Marco” e eu nunca me ouvia responder do outro lado “Polo”…

Chorava abraçada aos joelhos me esperando. Eu me esperava aparecer com olhinhos travessos de quem acaba de fazer arte, limpar as lágrimas da própria bochecha e dizer: Calma, tá tudo bem, eu só saí uns minutinhos, agora estou aqui….

Mas não. Se foi e não consegui me reencontrar.

Não sei quem sou e não posso nem ao menos me questionar!

E do outro lado, eu, me espiava chorando de longe… Egoísta e solitária….

Melhor assim.

Estou mais feliz agora, longe de mim.

Quarto Minguante

Paixão. Amigos. Amores. Mentiras!!!

Elas são pequenas, estão presentes todos os dias. Por vezes, reflexivas, reativas! E mesmo que tenha pedido que elas não existissem, por mais banais que fossem, descobre um dia que elas já aconteceram. E como espinhos cravados, machucam!

E você esquadrinha um rosto conhecido esperando por um remorso desconhecido. Alfineta, incentiva. E prefere parar porque percebe que ela será mantida, a custa de outras irmãs menores que surgiriam só parar coroar a “veracidade” da primogênita.

E numa batalha interna colossal, no meio do turbilhão de sentimentos antagônicos, se pega desempoeirando a antiga balança de valores.

Qual o peso da afecção?

Qual a cotação da verdade????

Brilho…

Foi bonito ver aquele sorriso…

Me reconheceu no meio da multidão e sorriu.

Sorri em resposta.

Sorri com a alma.

Consegue acalmar meu espírito só com palavras amenas.

Me ensina com a benevolência de mestre.

Me ensina elegância, serenidade….

Poeira

Ele estava lá….

Ele me olhou…

Ele sorriu…

Tem estado ao meu lado…

Me disse que sim, seria de outro planeta se assim eu precisasse. Seria impossível, inconcebível, inigualável!!! E súbito me peguei outro dia escrevendo recadinhos, arrematando laços, decorando sonhos…

Me disseram outro dia que eu precisava me deixar ser feliz. Talvez sim. Mas devo discordar e dizer que dói sim… Dói quando você surta e liga pra amiga meio aos prantos,meio com raiva e dispara que não quer mais vê-lo, que não vale a pena protelar o momento em que ele vai desaparecer… Dói quando sua solidão crava fundo as garras como um gato que não quer sair de cima do sofá e você o arranca de lá, enquanto ele deixa o rastro das garras em grandes rasgos.

Rasgos na alma.

Minha solidão que anda se afogando lentamente na própria mágoa tem feito seus esforços pra não me deixar. Ela sabe que mesmo que nunca desapareça, está perdendo terreno e poder. E faz seus esforços pra me enlouquecer junto.

Olho no espelho pela manhã, buscando autenticidade, procurando ali naquele espaço entre os olhos resquícios de uma hipocrisia segura e auto-suficiente. Tenho conseguido me manter longe de mim o suficiente pra ser feliz…

Por quanto tempo???

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