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Poeira

Ele estava lá….

Ele me olhou…

Ele sorriu…

Tem estado ao meu lado…

Me disse que sim, seria de outro planeta se assim eu precisasse. Seria impossível, inconcebível, inigualável!!! E súbito me peguei outro dia escrevendo recadinhos, arrematando laços, decorando sonhos…

Me disseram outro dia que eu precisava me deixar ser feliz. Talvez sim. Mas devo discordar e dizer que dói sim… Dói quando você surta e liga pra amiga meio aos prantos,meio com raiva e dispara que não quer mais vê-lo, que não vale a pena protelar o momento em que ele vai desaparecer… Dói quando sua solidão crava fundo as garras como um gato que não quer sair de cima do sofá e você o arranca de lá, enquanto ele deixa o rastro das garras em grandes rasgos.

Rasgos na alma.

Minha solidão que anda se afogando lentamente na própria mágoa tem feito seus esforços pra não me deixar. Ela sabe que mesmo que nunca desapareça, está perdendo terreno e poder. E faz seus esforços pra me enlouquecer junto.

Olho no espelho pela manhã, buscando autenticidade, procurando ali naquele espaço entre os olhos resquícios de uma hipocrisia segura e auto-suficiente. Tenho conseguido me manter longe de mim o suficiente pra ser feliz…

Por quanto tempo???

Velinhas…

Aniversários me deprimem. Sempre me deprimiram. Há alguns anos, adquiri o hábito de celebrá-los e, ainda hoje, essas celebrações por vezes me parecem apelos desesperados e angustiantes contra a solidão.

Convidar amigos, escolher programas e locais. O barzinho da moda, a creperia discreta na hora do almoço, os e-mails, telefonemas… Toda uma estratégia montada para que não se esqueçam… Nunca entendi esse frisson por causa dos aniversários, mas confesso que sucumbi a ele. E como ela disse outro dia: “O evento do ano”… Alguns os consideram assim. Uma oportunidade de serem congratulados por mais um ano de vida, reunir os amigos e celebrar a velhice. Eu sempre vi tudo isso como uma vontade absurda de ser a estrela da festa, centro de todas as atenções, por um dia que seja, só pra não se sentir o pior ser da face da terra. Como eu mesma me sentia e ruminava esse fracasso com despeito a cada ano.

Ok, se é pra ser narcisista, vamos lá. E como tudo em mim é intenso, que não seja apenas narcisista, seja hedonista! A creperia, as reservas, o barzinho da moda, os telefonemas, e-mails, avisos, amigos, um bolo, um brinde, um brinco novo… Tudo pronto! Me sinto outra mulher!!!

Engraçado dizer isso e ainda repito, dessa vez em voz alta, demorando em cada sílaba: Tu-do pron-to! Me sin-to ou-tra mu-lher!!! E rio. Rio depois de ouvir minha própria mentira resvalando falsamente na consciência.

Venho sendo outra de mim desde há muito tempo. Venho sendo várias de mim mesma desde sempre. E neste dia, como quem escolhe entre o vestido ou o jeans, escolherei uma, dentre várias… Sempre me sinto outra mulher. Eu e mim nos apresentamos todas as manhãs, ali mesmo no banheiro. E encaro longamente a estranha no espelho antes de tomar banho, esperando que se rebele, que chore ou que sorria.

Vou escolher uma que seja doce, serena, espirituosa. Que exale sensualidade e elegância. Reunirei amigos e inimigos. Sorrirei gentilmente com todas as congratulações… Sorrirei até que eu mesma acredite que seja verdade. Que seja felicidade!!!

Serei feliz apesar de mim…

Mas ainda tenho medo de que faça sol nessa minha alma nublada. Tenho medo do que pode sobrar se minha depressão se despedir de mim, pra se esconder mais no fundo da alma. Afinal, ela eu conheço. Tenho medo de não mais precisar do sarcasmo ou do despeito pra me proteger contra a solidão. Meu escudo contra os amigos, amores, temores, horrores…

O vento que sopra nos cabelos e faz a vida valer a pena é desconhecido… Essa brisa, arauto da paixão, me assombra no meu próprio aniversário… Ainda não sei se vou soprá-la de volta na hora de apagar as velinhas….

Talvez eu olhe nos olhos dele na hora de apagar as velinhas…

Talvez ele sorria de volta…

Talvez ele esteja lá…

Talvez permaneça…

Talvez…

Pollyana?

Ela me perguntou outro dia se era só uma impressão ou se eu havia me tornado uma otimista.Impressão equivocada. Incentivada, confesso, pelos sorrisos fartos e brandos diálogos que presenciara. Tentei explicar da melhor forma possível como são as faces da indiferença. É mais fácil e cômodo quando não indagam o porquê de seus olhos tristes se perderem no tempo da memória ou da consciência… E daí você finge. Veste a máscara da felicidade contagiante de início de ano e se esconde no canto escuro do seu engodo pra chorar em silêncio…

E chora mansinho, lágrimas salgadas que escorrem pelas bochechas e pingam no colo. Lágrimas solitárias. Carentes de soluços. Soluços engolidos. Orgulho! Depressão prenunciada…

E acaba temendo que a descrença nos amores humanos seja tão profunda que não perceba verdade. Acaba temendo não ser capaz de amar, mesmo quando isso não parece mais tão impossível. Ainda assim, se pega analisando cada ato, cada sorriso, cada gesto que, se idôneo, é visto como deslize em um plano requintado de crueldade e, se cruel, como um retorno aos padrões de “normalidade”… Se envolve sem sentir. Sente sem entregar-se. Entrega-se sem amar…

Look but don’t touch. Touch, but don’t taste. Taste, don’t swallow…”

 E segue sorrindo, parecendo otimista. Jurando que tudo corre bem. Simpaticamente expurgando os curiosos que teimam em querer espiar além. Vão! Vão se ocupar com suas vidas, seus olhos, seus corpos… deixem minha solidão pra mim!!!

Aconteceu ontem. 

Ainda de pijama, curtindo os resquícios de sono…

Você me invadiu. Imperativo. Foi entrando pelos cílios, invadindo as pálpebras. Espreguiçou ali pelo subconsciente e aninhou-se bem abaixo do seio esquerdo. Ficou por lá um tempo, batucando meus pulmões, tamborilando o coração. Desceu pela barriga, esfriando meu estômago. Bamboleou meu umbigo. Passou correndo pras pernas, arrepiando o púbis. Foi escorrendo devagar pelos joelhos me fazendo rir, espremeu-se pelo calcanhar e foi-se embora.

Fiquei um tempo com seu gosto na boca, seu cheiro no corpo… Deitada na cama eu aproveitava você em mim. O sol entrava em frestas pela persiana e me aquecia em listras. Virei para o lado, bocejei com vontade de que tivesse ficado um pouco mais, ou que voltasse, mas não adiantava, eu já tinha acordado mesmo…

Levantei e sacudi você dos meus poros. Formigou um pouco. Ardeu outro tanto…

Despi-me da alma, pendurei ali detrás da porta e fui escovar os dentes.

Dias de alma nublada

Engraçado como a vida vai passando e se vai aprendendo que a gente também passa por ela. Longe de todos os apelos de ser atuante na própria história, se aprende que a vida acontece mesmo que você não queira que ela aconteça. Como eu queria poder tirar férias de mim. As vezes cansa ser eu mesma. Tenho vontade, de vez em quando, de trocar com meus amigos ou até com desconhecidos. Viver outras angústias e alegrias, só pra variar, quebrar a rotina… Engraçado também é perceber que nunca estive tão sociável como agora e tão absurdamente só. Amar nos deixa solitários. Cansei de amar. Cansei das pessoas.

De repente você acorda um dia e percebe que seu mundo não é mais o mesmo, que seus amigos mentem pra você, seu peixe lhe é indiferente… Finalmente entende que tem mesmo gente torcendo pro seu fim dentro do seu próprio estádio. Aí no dia seguinte seu mundo desabou mesmo, os amigos se desculpam e até seu peixe, ressabiado, procura sua atenção…

Só que isso já não comove. A vida vai indo e nem sempre dá tempo de ir junto com ela. As rosas vão perdendo suas cores. Os amores já não fazem o corpo arrepiar. As paixões não aceleram os batimentos. E chega o tempo da total descrença nos relacionamentos.

Eu quero alguém pra amar, mas pode ser de outro planeta? Porque os amores humanos são brutos, nem sempre são possíveis… Súbito você olha no espelho e tanto faz. Tanto faz se hoje é um dia de sol, se você está mais ou menos bonita. Porque na semana que vem vai estar tudo igual, ou não! Você se revolta, toma decisões, berra aos quatro ventos que vai mudar de vida. E muda! Acorda diferente, come outras coisas, anda por outros lugares, seus assuntos são completamente outros e até as feições se alteram. As pessoas dizem que você anda mais serena, mais bonita… Mas não faz diferença. Se fosse do outro jeito, da maneira antiga, também haveriam outros amigos dizendo o quanto é bonita, o quanto é inteligente e invariavelmente dizendo que conversar contigo dá medo. Medo de quê?

Medo de mim. Isso eu tenho. Medo de mim! Medo de me odiar todas as manhãs e ainda assim sorrir pras pessoas, só pra elas não se atreverem a espicaçar minha intimidade. Medo de pensar que todo ser humano é intrinsecamente chato e entediante. Medo de ter certeza disso. Medo também da certeza de que tudo é sempre menos do se esperava. Aí não se ama mais com toda a alma (porque já se sabe que uma hora ou outra ele vai mesmo embora), já não se sofre com todas as angústias (mais cedo ou mais tarde as dores se curam) e nunca mais se choram todas as lágrimas (porque desperdiça-las com dores que vão mesmo passar?).

Me acostumei com a idéia de viver a vida anestesiada. Primeiro quando foi preciso, pra não enlouquecer com as dores, amores, horrores e em seguida por hábito. Só é difícil no início, mas depois é quase como brisa. Já não se perde mais tempo conhecendo alguém que está fadado a desaparecer da história da sua existência. Por mais que, ser quem se é, é produto de todas as pessoas com quais se convive, não se morre pela ausência deles. Muitas vezes eu morri pela presença deles!!! E quando isso ainda doía. Ainda machucava…

Dia desses, senti vontade de amar. Vontade doída, lá de dentro. Vontade de desperdiçar uma tarde inteira no parque, afagando os cabelos de um alguém… vontade de ligar no fim do dia, sorrindo… vontade de sentir saudade. Percebi que minha alma já esqueceu como é aquela sensação de entorpecimento da paixão. Mas a vontade ainda estava lá. E com a naturalidade de quem acaba tendo que fazer o que se é necessário que seja feito, matei-a. Afoguei-a em caminhadas solitárias por uma outra cidade, em uma exposição de arte, rodeada das mais lindas declarações de amor de todos os poetas, assinei sua sentença. Estrangulei com frieza minha frágil vontade de amar. Não dei a ela a mínima sobrevida. Nem sequer doei seu órgãos após sua morte. Deixei-a assim, numa cova rasa… indigente…

Fugi.

Da minha cidade, da minha vida…

Voltei mais calma.

Voltei menos eu…

Há muito, desisti das pessoas…

Leva tempo, pra desistir de mim?

Eu sou pessoal

Foi no mínimo lisonjeiro ouvi-lo explicar com tanta candura porquê, para mim, tudo é pessoal… E é mesmo. Como protagonista da novela da minha vida optei por tornar as coisas um pouco mais…  próximas, digamos assim.

Eu sempre quis ficar perto de mim. Já que não dá pra me esquecer num canto, uma hora ou outra eu saio pelas ruas assassinando sonhos e esperanças só pra ver eles virarem adubo pras alegrias alheias… eu vou pela vida me largando aos poucos, em pedaços esfacelados só por um sorriso seu.

Cada dia, cada momento é meu, porque depois que você for embora, vai me sobrar a doce lembrança de um tempo perfeito. Feliz onde o mundo era pequeno demais pra minha alma. Cada carinho é seu, cada afago é único, especial… Os detalhes são a alegoria das minhas mais secretas fantasias. Quando o tempo pára no compasso dos meus cílios, quando o céu se abre no delicado paladar do seu prato.

Uma convulsão de sentimentos, uma explosão, erupção…

Mas eu sou assim… complexamente simples!!!

Porque me alegro com seu olhar, porque meu corpo se arrepia dentro do seu abraço, porque meu coração palpita só com a lembrança do seu cheiro. Sim, seu cheiro também me inebria, me cativa, me leva pra casa… tira meus pés do chão em um rodopio de esperanças vagas. Não vazias, apenas vagas. Por serem desnecessárias. Por não precisar das palavras premeditadas, de frases feitas, discursos prontos. Só seu abraço. O roçar de tuas mãos na minha pele. O laço vermelho arrematando o pirulito de sonhos açucarados…

Mas o pecado aqui talvez seja uma pitada de egoísmo. Porque nada disso é mais seu. São minhas lembranças. Até o cheiro da terra molhada é meu, minhas gotas da chuva de um tempo bom… Prontas pra serem sorvidas, acalentadas nas longas horas solitárias…

Quando o meu sofrimento também é absurdamente pessoal. Minha dor, meu abandono. Solidão de mim. Esquecimento… Agonia estóica que, por vezes, nubla minha voz…

Assim sou eu, versão personalísssima de mim mesma. Dicotomia de quem acredita que a vida só vale a pena se vivida com paixão e intensidade. Que não sabe se sobra muito depois que a tempestade pára de soprar. Mas o vento nos cabelos já vale uma vida inteira…

Você pode sim me descobrir com vagar e zelo… Usar seus sentidos, sua percepção… Pode até ter sido meio casual, mas ainda assim terá sido pessoal…

Começo a entender os suicidas

Sabe aquela sensação de ter levado um soco no estômago sem esperar? Ou de ter pedras de gelo dentro da barriga? O pior é quando todo mundo à volta tá estupidamente feliz… Sei lá, casamentos, aniversários, batizados, formaturas… o natal! É preciso sorrir e participar da loucura geral, sim porque é loucura ser feliz o tempo todo. Ou desespero, não sei bem…

E tudo que era preciso era sair pelo corredor e ir embora, deixar pra trás os sorrisos verdadeiros e os falsos também. Os doces, flores e principalmente aquela sensação idiota de se estar também estupidamente feliz por eles. Sim, porque eles mereciam… Tudo tão certo. Tudo tão perfeito. Tão lindamente perfeito que era como blasfêmia não estar realmente feliz. Mas a felicidade balançava as saias de seu vestido bem perto do abismo da desesperança… como o chapéu que escapa e flutua suavemente em rodopios cada vez mais profundos no abismo dos desamores…

Esquecer do vazio na alma e sorrir… chorar um pouco também, escondida covardemente no pretexto da fragilidade feminina, derramar lágrimas de amargura com a conivência dos convivas que, elegantemente, fingiam acreditar que chorava de felicidade. Enxugar as lágrimas com o olhar de quem se comove, com a dignidade de quem se desculpa e com a frieza de quem não mais se compraz. E quanto mais se alegra, mais vazia… quanto mais se resigna, mais se contorce… Olhos fofoqueiros. Delatores! Queria poder abandoná-los. Trocá-los numa loja e deixá-los lá, pra quem quisesse a experiência de não mais poder mentir, dissimular a alma. E deixá-los numa legenda auto-explicativa:

CUIDADO!

Olhos Fofoqueiros

Desaconselháveis para apáticos, cardíacos e cínicos.

Devem ser usados com parcimônia e descartados antes da descrença total nos amores humanos.

E assim seria. Eles ficariam lá até serem acolhidos por outro alguém que precisasse de verdade na vida e sinceridade na alma.

Os sorrisos?

Continuariam até bem depois de tudo já ter se acalmado.

As flores?

Murchariam belamente esvaindo os sonhos.

Eles?

Felizes!

Eu?

Sozinha…

Homens Analógicos

Eu já me decidi.

Eu só quero conhecer pessoas analógicas.

O mundo digital já não satisfaz. Quero tocar, sentir…

Quero ver o sorriso nascer nos olhos de outro alguém… Viver as relações humanas sendo protagonista delas. Construir interações.

Viver por trás de telas e filtros ja não me satisfaz. Vou arriscar, ousar… Me permitir errar, nem que pra isso eu precise me magoar de vez em quando.

Que as relações humanas  não sejam produtos binários,  mas terciários, quaternários… De infinitas possibilidades, rumos e desfechos. E não que venham a ser melhores ou piores do que os anteriores, mas definitivamente diferentes. Cheios de cores, sabores! Quero demorar saboreando minha próxima relação.

Que as paixões sejam analógicas,  os amigos também… As dores então… essas podem vir devagarinho pra poupar o folêgo, mas podem desvanescer subitamente sem deixar seqüelas.. largando pra trás só um log de aprendizado.

 É isso, pronto.

Quer me conhecer? Vem viver comigo no meu mundo que não é mais digital…

Mas você vai precisar me descobrir com vagar e zelo…

Use seus sentidos, sua percepção…

Vai ser assim, meio casual, mas nunca será comum!!! O que é comum também já não me satisfaz.

Pode ser numa manhã de inverno ou em um milk-shake de morango, ou de baunilha, não importará.

Pode até ser surreal, sei lá.  E se não acontecer? Tudo bem. A gente se olha de novo e dessa vez, sorria com a sua alma…

Às vezes eu tenho vontade de parar numa esquina, assim como quem pede ajuda para encontrar um endereço e perguntar à queima roupa: Você pode me ajudar? Pode me dizer quem sou eu? É. Simples assim. Já descobri que morrer não dói, mas viver… Dói que nem vara quente e afiada dentro do olho.

Aí eu vou tropeçando nos conceitos alheios de mim mesma, sufocando no mar de opiniões de outrem, engolfando reflexos, vomitando expectativas… Tem dias que eu acordo e tenho vontade de enfiar os dedos pelas bochechas e ir tirando fora as camadas. Tirar esses olhos fofoqueiros, janelas abertas da minha alma, só pra não deixar que me delatem em meu silêncio. Descartar a boca, que teimosa, me trai em sorrisos quando preciso mesmo mostrar meu pesar.

Sigo meus passos querendo topar comigo ao virar numa outra esquina. E então me olhar com aquela cara blasé, permitir alguns segundos de mudo espanto hipócrita e depois ir tomar um sorvete, ou só caminhar sem rumo. Perguntar sobre a vida, os planos, os seus/meus maiores temores, amores, horrores… E quem sabe até me convidar pra sair. Ir ao teatro e discordar de mim mesma. Gostar e desgostar da peça ao mesmo tempo. 

E só assim, sendo duas eu não precisaria justificar minhas dicotomias. Porque já não posso ser contradição, fico parecendo um projeto de História da Humanidade: “vivo a era da razão”…

Mas só por estes fugazes momentos eu seria livre. Livre pra me dar as costas e partir. Ir embora de mim, sem olhar pra trás. Me abandonar, sem ligar no dia seguinte pra saber seu eu estou bem, sem superar, sem encontrar um novo eu.

Vou preferir assim então, viver sendo só metade de mim. Pode ser que doa menos. Pode ser que quando eu parar pra perguntar, eu ouça também à queima roupa: Eu sou você! Aliás, todas nós somos….

A outra face

Era como se ainda ardesse em pele. ..

Era como se ainda rememorasse aquele momento do novo, do outro, do sempre mesmo…

Ainda sorria sem entender o porque de meus olhos ainda não entenderem…

Morri um pouco. Um pouco do “nós” morreu ali. Não havia muito o que se perder, mas um pouco do pouco que se foi, esvaiu por entre a incredulidade do fato…

E a vida seguiu sem parar para lamentar aquele ato. E nem devia….

O dia seguiu, o sol baixou. Outro dia nasceu e no fim, senti falta do aperto de mão e do brilho que a amizade faz florescer. Quem sabe… em outro tempo.

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